Precisamos começar a falar sobre blockchain e como ele pode transformar muitos negócios e profissões.

Para um profissional da área jurídica nunca foi tão difícil entender e explicar uma inovação tecnológica, porém quando essa transformação afeta, inclusive, a ciência jurídica não podemos ficar para trás.

A melhor explicação sobre blockchain que encontrei foi a de Don Tapscott, escritor e consultor especialista em estratégia corporativa e transformação organizacional. Seguindo a lógica didática de Tapscott devemos, primeiramente, pensar na ideia do dinheiro, se eu enviar R$ 100 reais a você esse dinheiro não pode ficar em minha conta para que eu não consiga enviar duas vezes. Diante deste problema, chamado de “gasto duplo” pelos criptógrafos, dependemos de grandes intermediários como bancos, governos e grandes empresas para estabelecer confiança na nossa economia.

Esses grandes intermediários realizam toda a logística do processo de transação, da autenticação, identificação das pessoas até a compensação, liquidação e manutenção de registros. Para tanto, cobram sobre esses serviços. A grande questão talvez não seja a cobrança por esse serviço, mas a segurança envolvida, pois estes agentes são centralizados e isso significa que podem ser hackeados, o que na verdade, são cada vez mais.

Daí surge a noção da internet da informação evoluindo para a internet de valor. Um sistema em que houvesse uma espécie de livro de registro contábil distribuído de maneira ampla e global, funcionando em milhões e milhões de computadores no qual, por exemplo, o dinheiro pudesse ser armazenado, transacionado, trocado e gerenciado sem aqueles grandes intermediários.

Através da criação do Bitcoin, uma criptomoeda que não é controlada por uma nação tem por trás a tecnologia chamada Blockchain. Essa tecnologia trás o sentido de confiança, chamado por Tapscott de “O Protocolo de Confiança”, pois a confiança é estabelecida entre as pessoas, não por uma grande instituição, mas sim pela colaboração, pela criptografia e por um código inteligente.

Veja, quando é realizada uma transação, ela é publicada globalmente, através de milhões de computadores. Espalhados ao redor do mundo há um grupo de pessoas chamadas “mineradoras”. Esses “mineradores” trabalham muito, a cada 10 minutos como se fosse o batimento cardíaco da rede é criado um bloco que possui todas as transações dos 10 minutos anteriores. Em seguida, esses “mineiros” competem tentando descobrir a verdade e validar o bloco, aquele que conseguir será recompensado em moeda digital, no caso Bitcoin.

Esse bloco que falamos é ligado ao bloco anterior e bloco anterior, criando uma cadeia (“corrente”) de blocos. E cada um recebe um carimbo do tempo, o que Tapscott chama de “lacre de cera digital”.

Sendo assim, se quiserem hackear um bloco, esse processo exigiria que todos os anteriores também devem ser hackeados, toda a história do comércio nesse blockchain, não apenas em um computador, mas em todos os milhões de computadores, simultaneamente!

Muitos exemplos de aplicações do blockchain podem ser citados. Mas vamos citar um que mostra a tecnologia e o direito gerando prosperidade. Tapscott cita que 70% das pessoas no mundo que possuem terra, possuem um título precário sobre elas. Imagine que você possua uma fazendinha em Honduras e um ditador assume o poder e diz que o computador do governo indica que o amigo do ditador é que é o dono da sua fazenda. Isto aconteceu, realmente, em larga escala em Honduras e, sabemos, não é um problema só deles.

Hoje, existem empresas trabalhando com alguns governos para inserir os títulos de terra em um blockchain. E, como vimos acima, uma vez que está lá, se torna imutável, não podendo ser hackeado. Isso cria condições de prosperidade e justiça para potencialmente bilhões de pessoas.

Diante dessa pequena explicação podemos entender que o tema é amplo e precisa ser amplamente discutido, principalmente sobre como o seu negócio poderá participar dessa evolução na internet.