Apesar de representar hoje o maior faturamento de transações com cartão de crédito e débito da América Latina, o mercado de meios de pagamentos brasileiro ainda caminha para encontrar um modelo mais equilibrado – seja para bandeiras, credenciadores, mas, principalmente, para o varejo e portadores de cartão.
O mercado de adquirência do país, por exemplo, durante muito tempo atuou em modelo de exclusividade da captura de bandeiras globais. Foi só em 2010, após recomendações do BACEN e regulações do Cade, que a Cielo e a Rede deixaram de ter o monopólio de captura cartões Visa e Mastercard, respectivamente, que as portas foram abertas para um modelo mais competitivo. O fim da exclusividade e a possibilidade de participação de outros players trouxe um novo ânimo ao setor, mas também abriu uma lacuna no entendimento dos modelos de captura e liquidação praticados entre as credenciadoras e bandeiras.
Ainda hoje é comum que lojistas acreditem que uma bandeira possa efetuar pagamentos diretamente ao seu estabelecimento, para muitos não é claro os modelos de negócios adotados pelas suas próprias credenciadoras. Atualmente, as credenciadoras possuem dois modelos de adquirência das bandeiras: Full Acquirer e VAN. No modelo de Full Acquirer, uma única credenciadora captura, processa e liquida a compra. Neste modelo, ela tem total autonomia e flexibilidade para definir as taxas e as condições que serão oferecidas ao lojista. No caso da Cabal, a bandeira atua no modelo Full Acquirer para os produtos crédito e débito com os credenciadores Bancoob (com as marcas Bin e Sipag), Cielo e Rede. Já no modelo conhecido como VAN (“value added network”, em inglês), uma credenciadora pode capturar a transação, mas quem processa e liquida a transação com o Lojista é outra instituição. Nesse modelo, a taxa de desconto do lojista (MDR) fica com a Credenciadora Liquidante, que paga um valor fixo por transação para a credenciadora que capturou o cartão. Os cartões Cabal Vale – produto voucher da bandeira Cabal –, por exemplo, atuam no modelo de VAN com as credenciadoras Cielo, Rede, Getnet, Global Payments, entre outras, mas, por determinação do PAT, sua liquidação é feita pela credenciadora Cabal Brasil.
Hoje mais de quatro milhões de máquinas de cartão operam no Brasil. A popularização do pagamento com cartões proporciona ao país mais segurança sobre a movimentação financeira. A abertura total do mercado de meios de pagamento eletrônico é uma demanda antiga do Banco Central (BC), que tem buscado aumentar a competição, permitindo que mesmo que o lojista contrate apenas uma máquina ele possa aceitar todas as bandeiras do mercado. Muitos avanços já foram alcançados, mas ainda há um longo caminho para um mercado mais democrático, com taxas atrativas para o setor varejista e sem entraves para a eficiência do setor. É para isso que temos trabalhado.

Oswaldo Ferreira Lopes
Gerente de Rede de Aceitação
Cabal Brasil