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Varejo e atacado ampliam gasto em automação

Wagner Hilário/Eduardo Laguna

Os pequenos supermercados e os atacados estão investindo fortemente em automação, tanto na área comercial quanto na administrativa. Entre as centrais supermercadistas, que congregam pequenos lojistas, chega-se a projetar investimento de até R$ 350 mil para automação no ponto-de-venda neste ano. Entre os atacadistas serão investidos cerca de R$ 200 mil. Em 2004, os atacadistas investiram de R$ 500 mil a R$ 2 milhões.

O objetivo das empresas é reduzir custos, ganhar produtividade e, principalmente, ter uma importante melhora nas operações de venda. A automação comercial, quando bem implementada, permite um ganho de eficiência, ou redução de custo, de 8% a 10% na cadeia, de acordo com Cláudio Czapske, superintendente da Associação ECR Brasil , entidade formada por varejistas e indústrias.Em geral, o atacado tem concentrado seus investimentos na comunicação entre escritório e representantes de venda.

Dentro desse processo, o setor tem feito troca de operadoras de telecomunicação, o que permitiu economia de até 30% nas operações com palmtops.Enquanto isso, as centrais começam a automatizar a retaguarda das loja, a relação com os fornecedores e os bancos, por meio da Internet, e o frente de loja.

Cresce o número de supermercados que possuem um só sistema para processar as mais diversas formas de pagamento eletrônico.

Para Wolney Betiol, presidente da Associação dos Fabricantes e Revendedores de Equipamentos para Automação Comercial (Afrac), a automação comercial é uma prática comum entre as grandes redes varejistas e ainda incipiente entre os pequenos e os atacados. “Os supermercados são entre 5% e 10% do que faturamos anualmente. Em 2005, a receita do setor deve ficar em torno de R$ 600 milhões” diz.

Um exemplo de crescimento da automação comercial no varejo é a central de supermercados Unisuper . A rede gaúcha começou a desenvolver neste ano a automação na gestão dos supermercados associados. Foi contratada uma empresa para trabalhar em um programa de automação da retaguarda (setor de gerenciamento). O objetivo é introduzir o programa em todos os supermercados, promovendo padronização de gerência, e reduzir em até 50% as perdas, com o maior controle sobre os produtos estocados.

Hoje, cerca de 30 lojas, das 120 que integram a central, já trabalham com sistema de gestão automatizado. Até 2007, pretende-se que todas unidades estejam operando com o sistema.Automatizar o frente de loja é outra preocupação dos gaúchos. Para agilizar o atendimento, os supermercados da Unisuper estão instalando em todos caixas os TEF'S (Transferência Eletrônica de Fundos) para recebimentos de cartões de débito ou crédito, uma maneira de simplificar as diversas formas de pagamento, sem que seja necessária uma parafernália de máquinas para cada operadora de cartão.

De acordo com Paulo Valmir Vargas e Silva, presidente da central, 40 lojas já trabalham com TEF'S no ponto-de-venda, e mais R$ 350 mil devem ser investidos pelos lojistas para que toda rede funcione dessa forma.

João Francisco de Pinedo Kasper, superintendente da Rede Show , central capixaba com 59 unidades, conta que a rede desenvolve, com cinco indústrias e um prestador de serviço, sistemas de automação cuja retaguarda, frente de loja e comércio eletrônico com fornecedores serão integrados. A intenção é promover maior agilidade no atendimento ao cliente, melhoria na gestão da loja e redução no custo das transações com os fornecedores.

De acordo com Kasper, os investimentos equivalem a um custo mensal aos associados de R$ 500, já que há uma espécie de royalties para os fornecedores dos softwares. “A automação permite tomar providências que reduzem custos, melhoram vendas e rentabilidade”, conta.AtacadoEm busca de agilidade na realização dos pedidos a fornecedores e tarifas mais econômicas, atacadistas como Tozzo & Cia , Destro Macro Atacado e União trocam suas operadoras de telecomunicação, negociam acordos especiais, para até 5% do preço pago anteriormente, e renovam os palmtops utilizados pelos seus vendedores.

No caso do Tozzo, a equipe de tecnologia do atacado desenvolve, para o segundo semestre, um novo software que permite controle de estoque através de leitura óptica. Dessa maneira, a empresa espera agilizar o processo de estocagem e saída de mercadorias, bem como aumentar a confiabilidade da distribuição e da armazenagem.

A própria equipe técnica do Tozzo vai desenvolver o sistema. “O desenvolvimento do software está incluso no salário pago mensalmente à equipe”, diz Edvino Pires, diretor de compras da empresa. Se contratasse uma equipe para fazer esse trabalho, o diretor da a empresa gastaria entre R$ 30 mil e R$ 50 mil.Além disso, Pires diz que há 30 dias o atacado fechou uma parceria com a operadora Claro que permite aos seus representantes emitir pedidos, de onde estiverem, por meio dos palmtops, com um custo de 20% a 30% menor que o obtido com o plano anterior, quando a operadora era a Embratel. Nesse processo de modernização, o Tozzo investiu R$ 500 mil em novos palmtops em 2004.

Já o Destro vem se automatizando há dez anos. “Hoje os investimentos são pequenos e se concentram na manutenção, como reposição de palmtop”, informa João Destro, diretor comercial. Segundo ele, esses equipamentos, somados à uma boa negociação com a Embratel, foram responsáveis, há quatro anos, por uma redução de custo fora do normal. “Pagávamos, em média, por representante, R$ 200 de telefone ao mês, na época. Hoje, gastamos de R$ 10 a R$ 12”, afirma. O Destro tem 400 representantes. Segundo o diretor, um palmtop de telefonia fixa custa, em média, R$ 300, enquanto um aparelho de telefonia móvel custa R$ 1,3 mil.

O diretor do União Atacado, de Minas Gerais, e presidente da Associação Brasileira de Atacadistas Distribuidores (Abad), Geraldo Caixeta, diz que sua empresa investiu, em 2004, perto de R$ 2 milhões na automação gerencial e na comunicação com representantes. “Só em comunicação, obtivemos uma redução de custo de 30%, mas o mais evidente é o ganho em qualidade e satisfação do cliente”, diz. De acordo com ele, a empresa vem se automatizando há cinco anos, e o maior investimento foi feito no ano passado. “Em 2005 gastaremos por volta de R$ 200 mil”, informa o executivo.

Neste mês, os empresários do varejo terão a oportunidade de entrar em contato com as soluções oferecidas pelos fabricantes e revendedores de automação comercial.

Do dia 12 a 14 de abril, acontece a AutoCom, feira do setor que reunirá por volta de 80 expositores no Frei Caneca Convention Center, na região central de São Paulo.
 
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