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Os efeitos da informatização do ponto-de-venda no lucro dos lojistas
 
Faz mais de 15 anos que estamos verificando o uso de equipamentos e softwares nas lojas com a finalidade de capturar dados no Ponto de Venda (PDV). Estas informações disparam ações nos estoques (gestão de estoques) e trazem uma infinidade de informações sobre o perfil do cliente (gestão do cliente).
Sempre ficam algumas dúvidas se a adoção destas tecnologias realmente leva ao aumento da eficiência do negócio. Eficiência esta que é traduzida no aumento das vendas, na redução de gastos e na elevação da margem que proporciona crescimento nos lucros das operações.
A obrigatoriedade do uso do Emissor de Cupom Fiscal (ECF), instituída em 1998, forçou uma corrida à implantação de sistemas de automação comercial, gerando uma demanda forçada pela automação do PDV, demanda essa que nem sempre foi buscada com vista no aumento da eficiência do negócio.
 

 

 
Por outro lado, muitos dos empresários do varejo, em especial o pequeno e médio, vêm relutando à adoção da automação do PDV. Infelizmente temos poucos dados estruturados no Brasil que mostram o quanto as empresas estão ou não automatizadas e, mas importante, o quanto os empreendimentos que se automatizaram realmente tiveram de benefícios reais. Na falta de dados brasileiros, vamos utilizar dados do varejo americano, notadamente um dos mais desenvolvidos no mundo.
De acordo com a "National Retail Association", as lojas que automatizaram o PDV obtiveram em média 16% de aumento nas vendas, com algumas lojas, atingindo até 23%. Esses resultados foram obtidos apenas com a adoção dos terminais PDV, quando as empresas investiram em sistemas de gestão de estoques e de clientes, o crescimento nas vendas foi ainda mais significativo.

Em termos de economia pela redução dos gastos, os resultados são também surpreendentes: em média 13% na automação do PDV, 14,3% na utilização de sistemas de gestão de estoques e 15,7% na implantação eficiente de sistemas de gestão de clientes. A tabela acima apresenta um quadro-resumo com dados muito significativos a respeito dos impactos positivos da adoção da automação em uma loja. Estes resultados foram obtidos após seis meses de uso intensivo dos sistemas.
Um fato importante a ser observado é a relação entre o ganho e o uso adequado e completo dos recursos oferecidos pela tecnologia. Este fato traz um indicador extremante significativo, que é o componente treinamento, ou seja, não adianta investir na aquisição de equipamentos e sistemas se o gerente e os operadores não forem treinados adequadamente (estudos indicam que, para o uso eficiente, os gerentes devem receber 40 horas e os operadores 20 horas de treinamento no ato da implantação de um novo sistema).

No Brasil, os fornecedores de sistemas de automação alcançaram um alto grau de qualificação no domínio da tecnologia, nivelando-se ao que há de melhor na indústria mundial. Hoje, têm todas as condições favoráveis para atender às necessidades das empresas de varejo com soluções de automação, não apenas no cumprimento de exigências fiscais, mas também como um forte aliado em busca de uma melhor gestão do negócio. Desta forma, pode-se afirmar que os ganhos obtidos no mercado americano podem perfeitamente ser reproduzidos no Brasil.

De fato, é o que a Afrac vem percebendo. Os empresários que adotam as tecnologias corretas para automação e gestão das suas lojas estão obtendo ganhos muitas vezes maiores aos apresentados acima. Em especial, os pequenos e médios lojistas têm reduzidos as despesas de pessoal de forma substancial, pois a automação permite a redução do número de funcionários da loja. Como a despesa de pessoal é muito significativa na determinação da margem bruta neste porte de estabelecimento, os ganhos na lucratividade são rapidamente percebidos.
 
 
Por Wolney Betiol para o Especial Automação do Jornal Diário do Comércio 
 
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